quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quer saber o que eu penso?


Você agüentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, linda, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma tpm horrivel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome. (Meu coração é minha razão. Essa é a lógica que inventei pra mim).

[ Fernanda Mello. ]

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Não gosto de amor com hora marcada.

Eu gosto das pessoas pelo prazer de gostar e não porque deu tempo de gostar delas. Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu eu gosto de você porque gostar não faz sentido. Permita-se. Se você acha que no fundo mesmo, apesar de todas essas reuniões e palavras em inglês que só querem dizer que você não sabe o que está falando, o que importa é ter pra quem mostrar que saiu o arco-íris. Permita-se. Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo que há em volta. E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você ainda não saiba nem quem é pouco e nem quem é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém. Permita-se. Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer, porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais. Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte, porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo, se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.

'Eles não sabem fugir para o lugar sagrado do peito, eles não sabem dormir num lençol branco e puro e sonhar com tudo o que é bom na vida, eles não sabem abraçar um amigo de verdade e encontrar um grande amor'. Não sabem sangrar!

[Tati]

domingo, 27 de dezembro de 2009

Palavras ao léu.

Diz o ditado que quem tem telhado de vidro não deve atirar pedra. Então tragam logo meu estilingue. Meu telhado é de cristal. Legítimo. Límpido. Transparente. Podem revirar meu passado, meu e-mail, agenda ou celular. Não vão encontrar nada. Não escondo nada. Não guardo mágoas, cartas, memórias. Não sei da vida de quem passou pela minha e não quis ficar. Não tenho rabo preso. Nem, tão pouco, relacionamentos mal resolvidos. Não tenho outras intenções que não as que eu digo.
Tenho cara de menina. Não tenho tamanho de gente grande. Mas não sou criança. Assumo meus erros. Assumo responsabilidades. Entendo erros. Aceito desculpa. Mas repito: não sou criança. Se errou, assuma. Pediu desculpa? Faça por merecer o perdão. Se existe algo pelo qual eu prezo são os sentimentos. Meus e dos outros. A palavra dita não volta atrás. Então, não diga coisas só pra ofender alguém que você ama. Não magoe ninguém de graça. Não magoe mesmo se achar que esse alguém merece.
Aprendi que uma coisa (mal) dita não tem nada que apague. A palavra proferida é um tiro na alma. Pode matar um sentimento. Pode acabar com o amor de alguém. Pode destruir uma amizade. Pode arruinar uma família. Uma palavra pode valer mais do que mil gestos. Pode machucar mais do que um tapa na cara. Pode separar mais do que a distância. Com palavras, eu magoei muita gente que eu amo. Eu perdi gente que eu amei. Mas foi só quando eu tomei uma surra de palavras na cara que eu aprendi. Quando um ex-namorado disse pra mim: “some da minha vida”, eu respondi: “vou sumir sim, e você nunca mais vai ter notícia minha”. E foi o que fiz. Cumpri o que disse. As palavras dele se tornaram uma profecia que se realizou. E, desde então, meço o que eu digo. A palavra dita não tem volta. E, muitas vezes, fazem um relacionamento não ter volta também.
Eu jogo limpo. Falo o que penso. Mas existem mil maneiras de se dizer a mesma coisa. Existem mil maneiras de se dizer alguma coisa sem machucar alguém. Acredito que não é à toa que eu tenho uma certa habilidade com as palavras. É pra amenizar minha impulsividade. Imagino o estrago que seria uma pessoa sem freios na língua e com palavras ao léu. Se faço tudo errado, pelo menos, falo certo.
E, pra mim, o certo é ser livre. Sou livre quando sigo o que sinto. Sou livre quando amo de verdade. Sou livre quando respeito aquele que amo. Sou livre quando faço o que quero. Sou livre quando digo a verdade. Porque só a verdade liberta. Só a verdade me permite olhar nos olhos de alguém e dizer o que tem que ser dito. Só a verdade me permite dormir todas as noites em paz com a minha consciência. Só a verdade permite que minha vida seja um livro aberto. Só a verdade me faz agir com transparência. Só a verdade me deixa tão livre, tão eu. Só a verdade me deixa tão presa a meus princípios. E só com princípios tão claros posso dizer o que sou: transparente.

[Brena Braz.]

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Desabafo

Eu sei que é uma besteira. O problema é que as besteiras juntas, formam um aperreio desses bem grandes. Não, nem é aperreio. É mais uma chateação. Sim, porque quase não fico mais triste. Mas, tenho sentido muita raiva. Muita vontade de fazer você sentir o mesminho pra entender como é ruim. Aí, fico pensando no que poderia fazer e não encontro nada que te aflija. Parece que você é imune a essas pequenices, mas só parece. Ninguém é, na verdade. Ninguém. Bem sei. Mas, enquanto não descubro como, fico ali com a mão gelada e o coração apertado. Não tenho dúvidas sobre o porquê. Sei que você acha que não é nada demais e vai morrer achando que não é nada demais, mas puxa vida. É tão impossível assim se colocar no lugar do outro? Fazer um esforcinho? Porque eu faço um esforço medonho pra não me importar, mas até agora não tenho conseguido muito. Pelo contrário, fico achando que é muita falta de consideração e falta de consideração das pessoas que mais importam nesse mundo parece infinitamente mais grave. Eu não vou te falar essas coisas, porque não adianta te falar essas coisas. Você só se chateia, eu só me chateio e não muda nada. Mas, precisava desabafar. Embora, isso também não mude nada.

[Briza Mulatinho]

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os incomodados que se retirem.

Dizem que os incomodados é que devem se retirar. Concordo. Se alguma coisa me incomoda, abandono o barco. Chuto o tal do balde. Ficar insistindo em uma coisa que não vai dar certo nunca foi a minha especialidade. Manter namoros estressantes, amizades interesseiras, empregos sem futuro não faz muito sentido na minha cabeça. Desculpe minha mania de ser clichê, mas a vida é muito curta pra gente perder tempo. Não é nada fácil me agüentar, eu sei. Sou implicante. Pouco tolerante. Pirracenta. Mimada. Falo o que penso. Faço o que tenho vontade (só o que tenho vontade!). E pior: sou adepta de uma filosofia de vida muito objetiva que eu mesma desenvolvi: "Quer? Quer. Não quer? Não quer". Muito simples. E é assim que eu gostaria que agissem comigo.
Não me quer, saia da minha vida logo. Me quer? Faça por merecer.
Não puxo saco de ninguém. Detesto que puxem meu saco também. Nunca saí com quem não queria estar comigo. Nunca fui à festa sem ser convidada. Não faço amizades por conveniência. Não sei rir se não estou achando graça. Não seguro o choro se o coração estiver apertado. Não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar. Não namoro pra falar que tenho companhia. Nunca pertenci a grupos em que as pessoas pensassem, agissem e se vestissem todas iguais. Nunca precisei beber, fumar ou me drogar pra pertencer a nenhum grupo social. Isso não sou eu.
Sou eu a cidadã cansada dos padrões machistas da sociedade. Sou eu a cidadã cansada de ver as capas de revistas com corpos de fora e imaginar se o que conta realmente é ter alguma coisa por dentro. A cidadã que, de tanto pensar, não dorme. De tanto não dormir, não pensa. A cidadã que, aos onze anos de idade, queria consertar o mundo fazendo cover da Xuxa nas escolas e falando pras crianças não se drogarem. A cidadã que não confia nos homens, não acredita na humanidade e gostaria de adotar uma girafa. A cidadã que planeja montar uma família com onças, aves e siris - além da girafa. Sou eu essa cidadã estranha. Sonho que sou a Branca de Neve e acordo engasgada com a maçã.
E de tanto comer maçã podre, aprendi. Agora, jogo fora o que não presta. Ou melhor, saio eu mesma do jogo. Não faz mais sentido acreditar que a sua amiga interesseira vai ser uma pessoa melhor depois que você conversar com ela. Ou que seu namorado vai mudar aquele hábito que te incomoda porque ele te ama. Ou que seu chefe vai reconhecer seu esforço e não vai te demitir quando precisar reduzir o quadro de funcionários. Não funciona dessa forma. Por isso, saio fora antes do final do jogo se eu não estiver de acordo com as regras. Me retiro se a incomodada sou eu.
O que incomoda vai estar sempre ali no mesmo lugar. Mas você não precisa estar. Mude de lugar. Mude de casa. Mude de emprego. Mude de amigo. De ficante. De namorado. De marido. Mude de atitude. Só não fique parada reclamando. Faça aulas de boxe. Aprenda a dar bicudos, a fazer gestos obscenos, a falar palavrão, a xingar as pessoas, a largar tudo pra trás. Aprenda a não levar a vida tão a sério. Aprenda que o stress só vai destruir seu estômago e torrar seu dinheiro em análises e remédios caros. Aprenda que as pessoas não são do jeito que você gostaria que elas fossem. Eu aprendi. Aprendi a hora de me retirar: vou embora antes do final da festa.

[Brena Braz.]

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Esperas são doídas.

Então eu te disse o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem as pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.

[Caio F. Abreu]

sábado, 19 de dezembro de 2009

Eu quero..

Eu quero alguém que tenha coragem. E saiba amar coisas simples e mulheres loucas. Quero alguém que acredite em realidade. Que esteja farto de sonhos perfeitos e Romeu e Julieta. Quero alguém que entenda o que é TPM. Que me faça rir. E que minta pouco. Quero alguém que goste de ler. Que me dê presentes fora de época. E que goste de rap.
Quero um amor que me compre biscoitos divertidos, cremes da Lancome e duas alianças. Que tenha uma casa. Com guarda-roupa. TV grande. Banheira de pé. Jardim com laguinho. Gato. Cachorro. E uma cama de casal. ENORME.

(se for cheiroso e beijar gostoso, esqueça tudo)
ps: e se for você, eu me contento com um banho de mangueira (no lugar da banheira) e creme de aveia Davene.

Fernanda Mello

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Entre uma decepção e outra, que tal uma pausa para aprender?

Tem época na vida da gente que parece que os encontros 'amorosos' são mais uma provocação do que uma oportunidade de se sentir satisfeito e feliz... Assim, vamos contabilizando decepções e desacreditando na possibi-lidade de viver uma experiência positiva e motivadora.

Quando isso acontece, creio que o melhor seja parar. Uma pausa para aprender. Ou melhor, antes apreender. Perceber o que está acontecendo, quais são nossos verdadeiros desejos e quais tem sido nossas atitudes para torná-los concretos.

Muitas vezes, fazendo uma análise mais justa e desapegada, sem assumir nenhum papel, nem o de vítima das armadilhas da vida, nem da sacanagem dos outros e nem o de culpado, como se tudo o que fizéssemos estivesse definitivamente errado, terminamos descobrindo que há alguma incoerência nisso tudo.

Só que para isso precisamos de tempo... e principalmente de coragem para admitir limitações, assumir pensamentos negativos e confiar mais na sabedoria da vida e seu ritmo. O que acontece, no entanto, é que a maioria de nós não quer esperar, não quer refletir. Tem apenas um único pensamento que alimentamos o tempo todo: quero namorar, quero ter alguém!!!

Será que estar com alguém é o mesmo que estar feliz? Pode ser que sim, mas pode ser que não... e se por qualquer motivo você não tem ficado com quem deseja, talvez seja o momento ideal para um intervalo, tão útil entre uma decepção e outra...

Tempo de se observar, de observar as pessoas e ouvir o que elas dizem. Tempo de aprender, crescer, ter uma nova conduta, desenvolver uma nova postura. Aguardar até que a vida lhe mostre qual é o melhor caminho a seguir... mas para ver, você precisa estar atento... sem tanta ansiedade, sem tanto desespero para tentar fazer com que as coisas aconteçam do jeito e na hora que você quer...

E se nenhuma resposta vier, talvez signifique que você precisa ver e ouvir com o coração. Respeitar o silêncio. Aceitar a ausência de quem você tanto deseja encontrar... Talvez não haja uma resposta e nem haja uma expli-cação.

Às vezes, simplesmente não existem respostas nem explicação. Apenas a vida. Apenas as pessoas. Apenas o mundo. Apenas a dor e o amor. Apenas...

E se insistirmos em não aceitar, em brigar, em nos rebelar, em nos revoltar... conseguiremos tão somente mais dor... e menos amor. Aceite que você não tem o controle, que você não pode decidir sozinho, que o universo tem seu próprio ritmo. Faça o que está ao seu alcance; faça a sua parte... e bem feito; da melhor maneira que puder...

E o que não puder, entregue e espere... porque embora diga sabiamente a música "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", tem ocasiões nesta vida em que quem sabe espera acontecer e respeita a hora de não fazer... até que um dia, o amor de repente acontece... porque seu coração estava exatamente onde deveria estar para ser encontrado!

Rosana Braga

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Estar sozinho

Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém.
No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém.
Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar.
É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça.
É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem.
É ficar louca sem cúmplice.
Não tem graça ser fora da lei sozinho.
É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem?
A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa.
Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto.
É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida.
É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia.
É o doce que substitui mal e amargamente o sexo.
Estar sozinho é dormir até tarde no domingo.
Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe.
É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita.
Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia.
É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada.
Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar.
Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um.
E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão.
Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido.
E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri.
Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido.
Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas.
É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão.
É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago.
Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela.
Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação.
É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho.
E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também.
Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno.
Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando.
Estar sozinho é detestar ficar em casa.
Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão.
Então você sai, só para não ficar em casa sozinho.
E descobre o quanto você é sozinho.
E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos.
Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho.
É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração.
É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco.
É estar pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais.
É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas.
Aventuras tortas.
É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências.

Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde.

Tati Bernardi

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Favor De Gente De Verdade

Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida. Tem muita coisa dentro de você? Então jogue essa porra de identidade fora e senta aqui. Pára de falar da rave. Da viagem. Das 200 horas que ficou sem dormir ouvindo tuntztuntz. Ok, pode falar! Mas seja breve. Eu quero saber sobre você. VOCÊ! Você não é só uma festa, uma foto de orkut, um carro bonito que te custa caro. Você não é só um i-phone, uma tv de plasma, uma notícia barata de jornal. VOCÊ É GENTE! E gente sente. Gente ama, sofre, sente sono. E tem medo. EU TENHO MEDO. Eu, na verdade, tenho muitos medos. E um deles é que as pessoas virem apenas uma IMAGEM. Não para os outros (que se fodam os outros!), mas para si mesmo.
Meu Deus, aonde vamos parar? Antes que a conversa se estenda, quero esclarecer logo. Não sou hipócrita, veja bem. Também adoro um auê, uma frescurinha, champagne boa. Tenho um ego chato que apaga fotos em máquinas alheias. Fico emburrada se a calça jeans não entra. Brigo cá com meus defeitos (que são caros, fartos e meus). E acho que todo mundo também. Mas o que vim dizer hoje não é isso. Ou melhor, é sim. O que eu quero falar na verdade é que: A GENTE PODE SER BEM MAIS QUE ISSO. Que tal preocupar-se um pouco mais com SER do que com o TER, nem que seja pra variar? Me conte suas viagens, me mostre sua história, mas seja sincero: você detestou aquele lugar que todo mundo ama! VOCÊ ODIOU, na verdade. Então pra quê dizer que foi uma viagem “do caralho” e colar aquelas fotos com aquela gente cretina bem no meio do seu mural?
Não precisa fazer linha comigo, nasci desalinhada, você sabe. Lembre-se de quem você era, DE QUEM VOCÊ É. (Você se lembra?). É sua essência, tudo o que há por trás desse sorriso lindo e óculos escuros. É minha gente. Estou naqueles momentos silenciosos em que pouca coisa parece fazer sentido. Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.

Fernanda Mello
http://fernandacmello.blogspot.com

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Hoje acordei inteira. Migalhas? Pedaços? Não, obrigada. Não gosto de nada que seja metade. Não gosto de meio termo. Gosto dos extremos. Gosto do frio. Gosto do quente (depende do momento.) Gosto dos dedinhos dos pés congelados ou do calor que me faz suar o cabelo. Não gosto do morno. Não gosto de temperatura-ambiente. Na verdade eu quero tudo. Ou quero nada. Por favor, nada de pouco quando o mundo é meu. Não sei sentir em doses homeopáticas. Sempre fui daquelas que falam "eu te amo" primeiro. Sempre fui daquelas que vão embora sem olhar pra trás. Sempre dei a cara à tapa. Sempre preferi o certo ao duvidoso. Quero que se alguém estiver comigo, que esteja. Mesmo que seja só naquele momento. Mesmo que mude de idéia no dia seguinte."

Fernanda Mello

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"...Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá."

Fernanda Mello

sábado, 21 de novembro de 2009

"Ela também teve seu coração machucado. Dilacerado, imagino. Normal. Desse mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Sim, amei sem limites. Dei meu coração de bandeja. Sim, sonhei com casinhas, jardins e filhos lindos correndo atrás de mim. Mas tudo está bem agora, eu digo: agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!"

Fernanda Mello

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Vem cá. Me dá aqui a sua mão. Coloca sobre meu peito. Agora escute. Olha o tumtumtum. Você pode me ouvir? É pra você, seu besta! É por você que meu coração bate! (Ele, que de tanto bater, parou sem querer outro dia). Posso confessar? Jura que vai acreditar em mim? A verdade é que estou de saco cheio de histórias românticas. Meus casos de amor já não têm a menor graça. Será que você me entende? Eu não escrevo porque vivo amores cinematográficos e quero contar pro mundo. Não!! Eu escrevo porque eu sou uma maluca. Minha vida é real demais. Um filme B pra ser mais exata. E eu não acho graça em amores sem final feliz. Por isso, invento. Pro sangue correr pelas veias, pra lágrima cair dos olhos, pra adrenalina sacudir o corpo. Eu invento amores pra ver se eu acredito em mim. (Acredita?). Mas hoje eu estou cansada. Estou cansada de mentiras, de realidade, de telefone mudo e de músicas sem letra.(...)
(...)Me deixa ser egoísta. Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim e quero ser preservada. Me deixa de fora de suas mentiras e dessa conversa fiada. Eu sou uma espécie quase em extinção: eu acredito nas pessoas. E eu quase acredito em você. Não precisa gostar de mim se não quiser. Mas não me faça acreditar que é amor, caso seja apenas derivado. Não me diga nada. (Ou me diga tudo). Não me olhe assim, você diz tanta coisa com um olhar. E olhar mente, eu sei! E eu sei por que aprendi. Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?) Mas meu coração está rouco agora. GRAVE! Você percebe? Escuta só como ele bate. O tumtumtum não é mais o mesmo. Não quero dizer que o tempo passou, que você passou, que a ilusão acabou, apesar de tudo ser um pouco verdade. O problema não é esse. Eu não me contento com pouco. (Não mais). Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou a fim de dar sem receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também."

Fernanda Mello

domingo, 15 de novembro de 2009

::: Ocupado :::

-Alô...
-Alô?
-Oi, é a Verônica.
-Verônica? Que Verônica?
-A Verônica... Não sei, cara... Qualquer uma.
-Como qualquer uma? Eu te conheço?
-Qual o critério de conhecer? Você já sabe meu nome...
-Moça, você tá bem? Com quem você quer falar?
-Não sei...
-Não sabe o quê?
-Se eu tô bem... Com quem eu quero falar...
-Olha, eu vou desligar que eu tenho mais o que fazer...
-Espera!
(silêncio)
-Tô esperando, você vai falar mais alguma coisa?
-Não.
-Então eu vou desligar.
-Não, não desliga. Então eu falo.
(silêncio)
-Olha, eu realmente não tenho tempo pra essas coisas, se você não tem mais nada pra me dizer, tô desligando.
-Eu tenho. Tenho um milhão de medos presos aqui nessa linha. Se você desligar, sua vida vai seguir. A minha vai ficar contida nesse aparelho eletrônico. Eu já sou contida de tantas maneiras... Na verdade eu só queria te dizer que por mais que o tempo passe, não consigo preencher meus buracos. Eu olho em volta e não procuro nada. Só porque eu sei que não há nada. Só porque eu sei que o nada que eu quero tá longe de mim. É tudo um enorme, frio e presente nada. Um vazio do tamanho da minha quase existência. Eu quase existo, sabia? Afinal, quem existe por inteiro? Eu não. Eu sou metade amada (porque ninguém me assume por inteiro); metade interessante (porque assusto quem eu quero aproximar e frustro os que ignoram minha muralha); metade culpada (porque ninguém tem obrigação de me amar de verdade quando eu crio bloqueios tristes e vazios). Se você quiser desligar, tudo bem. Eu só tava fazendo drama. Claro que eu vou sobreviver, né? Nunca precisei de uma ligação pra me manter inteira. Mas me diz, e você, tá bem?

Verônica H.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

::: Sentir-se Amado :::

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro.

Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

(Martha Medeiros)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Além de tudo

Amor, pra mim?
Amor vai além do que você acha, ou diz que acha.
Amor independe de ser a dois, a três ou a um.
Amor é um despertar, uma exalação do que tava dentro de ti.
Amor está acima de tudo, de cor, de números, de homem ou mulher.
Amor é uma coisinha que tá lá dentro e se manifesta na presença de alguém, de algo...
Amor é puro, sem interesse, é bom.
Amor é a base, é um querer bem...é liberdade.
Amor é um não sei o que...um eterno paradoxo.
Amor independe dos outros para acontecer,
amor não tem hora pra chegar e nem hora pra dizer adeus.
Amor te faz rir, te faz sentir uma euforia exorbitante, te faz chorar de felicidade.
Amor vai além dessas explicações, além de tudo que eu creio...
Amor é amor e pronto, sem precisar de palavras para tentar enquadrá-lo.
Amor é o topo, é o ápice...é tudo aquilo que nunca conseguirei traduzir a essência em linhas.
Amor eu tento explicar, amor eu sei que sinto.
Amor é te libertar e te ver feliz independente de tudo, é querer te ver bem...
E eu torço para que um dia todos sintam esse amor,
esse amor puro que me veio agora, nesse momento.
Que todos entendam um dia um pouco do que é o princípio do amor...e que sintam o amor pulsando dentro de você, despertando, sorrindo...
Não falo do amor de homem e mulher, de mãe, fraternal ou amor próprio...
Falo apenas do amor, sem subdivisões, sem classificações...amor puro, amor base, amor simples.
...amor, somente!
(Tornar o amor real é expulsá-lo de você,
Prá que ele possa ser de alguém! -Nando Reis-)

(Hosana Lemos)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

::: Quero ser Verônica. :::

Quando eu me vejo assim, pequena e oprimida, não sou Verônica.

Aliás, nesses casos, Verônica me olha com desprezo e ri. Abaixou a cabeça mas uma vez, idiota. Nunca vai ser igual a mim.

Verônica é fria e se rebela. Não aceita ordens se não concordar com seus motivos, questiona e argumenta pra conseguir o que quer. Eu não. Fico calada e dou razão. Perco oportunidades pra manter a paz. Ao caralho com a paz. É de mentira mesmo. É uma hipocrisia filha da puta. É harmonia fingida e exigida pelas aparências.

Verônica me ensinou a falar palavrões. Alivia. Ensinou a reclamar, mentir, atuar, seduzir. Só falta colocar o aprendizado em prática. Só falta agir sem me esconder nesse nome.

Sou Verônica no grito. Quando não pergunto antes de fazer. Quando me acabo de dançar e bebo mais que um copo. Sou Verônica sorrindo, quando pouco me importo com a opinião dos outros. Verônica me toma nos braços quando minto meu nome, idade e profissão só por diversão. É uma fora da lei. Despedaça corações e sorri experiente enquanto eu me culpo por fazer alguém sofrer mais uma vez.

Verônica escreve, atua, fotografa, dança, canta. E eu a invejo. Ela vive num lugar quentinho e seguro dentro de mim e só aparece quando quer. Ela só fala o que quer e só convive com quem gosta. Não tem obrigações nem escrúpulos, não sofre e não engole sapos. Não aceita desaforos de ninguém. Quando ela aparece me dá forças e quando vai embora me deixa jogada. E eu a invejo. Porque no fundo eu sei que eu projetei minha verdade numa personagem que é tudo o que eu tenho medo de ser.

Verônica H.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Férias


Estou tirando férias de mim. Férias das dúvidas que me derrubam, das ilusões que me levantam, porque tudo isso é muito temporário. E viver assim de pouquinho, sem nenhuma fixação, às vezes cansa. Esperar cada novo dia, cada novo olhar pra saber se posso ser feliz, não me faz feliz de verdade. Um sorriso e o balanço do dia é positivo, posso dormir à noite. Um cumprimento não correspondido e acho que tudo está errado. Mas se eu fico tão bem quando não dependo de opiniões, ações, gestos, por que insito em deitar nos braços do mundo e me deixar abater?

Não existe ninguém que pode me fazer mais feliz hoje e ter essa consciência muda o humor, muda a disposição, muda as vontades. Sabe o que é? As pessoas não me fazem bem, minha idealização delas me engana por um tempo, mas saio fatalmente mal das relações que eu invento. Então por que não me curtir um pouco - me sentir mais leve, mais bonita, mais interessante, já que o fantasma da obrigação de agradar não está me seguindo? Essa é uma daquelas fases de sorrir e não querer saber o motivo, de férias mesmo. De tudo que eu me cobro todos os outros dias do ano, depois me cobro por não ter tempo de cumprir.

Eu cansei de não me satisfazer comigo, não me guardar pra mim. De estar sempre escorrendo, vazando pelas beiradas. De precisar de opinião alheia por ser tudo ao mesmo tempo e esperar reconhecimento por isso. É tanta coisa aqui dentro, tanta coisa que eu tento melhorar e aprender todos os dias, que eu conto toda minha vida pra quem eu acabo de conhecer e fico chateada quando não me dão o valor que eu penso merecer. Mas ei, qual o problema? Nem todo mundo acha que ler e escrever (além do sentido banal de ler e escrever), é interessante. Nem todo mundo precisa saber que uma clave de sol não é um S, nem um G, e deduzir que eu gosto de música só de olhar pra mim. Não adianta chegar numa festa cheia de barulho e gente e querer conversar, achando que antes do cara sugar um pouquinho da minha alma, deve saber que eu não sou umas dessas mulheres vazias, sem uma alma para ser sugada. Tem mais que vento dentro de mim, mas isso é meu. Não faz diferença eu agir como uma pessoa superficial e querer explicar pra todo mundo que eu não sou. Sempre me arrependo de sair, ir a lugares que não têm nada a ver comigo. Mas eu tenho essa necessidade fútil de ser vista. Quando eu me escondo em casa, me sinto anulada. Preciso da opinião dos outros, de elogios. Quando alguém mostra que se lembrou de mim, adoro. Se diz que sentiu minha falta, tenho mais motivos pra sorrir. Quem precisa saber? Por que é que eu me importo com quem não me conhece?

E hoje não vou fazer isso. Não vou ceder, não vou me preocupar. Vou entrar em férias de mim, balancear os pneus, checar o óleo. Vou me amar. Pra depois tentar, quem sabe, amar alguém.

Verônica H

domingo, 1 de novembro de 2009

E então?

Fala o que queres de mim...
Tirar minha sanidade?
Embaralhar minha cabeça ao ponto de eu perder o senso da razão?
Decida-se, me ama ou me deixa.
Só imploro que não me abandone à dúvida, que não me dê brechas para um 'e se...'
Explique-me, esclareça, ponha tudo em pratos limpos...
Um basta definitivo, um ponto final nítido.
Essa dúvida me mata, esse jogo de paradoxo acaba comigo...tuas antíteses me ferem e me corroe por dentro.
Diz uma coisa e fazes outra...a cada volta no relógio um novo humor, a cada conversa uma nova opnião, a cada encontro um desentendimento, uma confusão, um mártire.
Me liberta, me solta, me deixa ir se assim for...mas não deixe-me acorrentada as tuas dúvidas, as tuas inconstâcias, a você!
Decida-se e me diga, eu preciso voltar a viver...preciso voltar a ser quem eu sou.
Não tenho medo de teu 'não'...o que me assombra é a incerteza de teu 'talvez'.
Só te peço a verdade, e que se essa verdade vier para doer, que doa!
Me diz o que tiver a me dizer, me mostra o que tens a me mostrar...
Fala o que talvez eu não queira ouvir, mas só te peço que me dê o breve e doce gosto da certeza.

(Hosana Lemos)

sábado, 31 de outubro de 2009

::: Para ler ouvindo: Almost lover- A fine Frenzy :::

Vou tentar te fazer entender, mesmo que você não tenha perguntado. Só quero explicar tudo e falar com você pela última vez, se necessário.

Você ficou mal quando eu terminei, mas insisto que foi pelo seu bem. Seria pior comigo e não vou repetir todas as minhas razões que tanto te irritam porque você só finge entender. Tentar me entender foi um grande desperdício de tempo. Eu nunca me apaixonei por você, mas sempre gostei muito. Principalmente porque achei que você gostasse de mim. Admirei seu coração e respeitei seus medos. Agora, já não sei se ainda sinto.

Lembra da minha coleção de decepções? Você faz parte dela agora. Não definitivamente pela minha mania de preferir acreditar na inocência. Foi tudo uma coincidência até que se prove o contrário.

Foi algum tipo de vingança ou foi só por acaso? Qualquer das opções foi muito infeliz. Se você queria me ver mal, acertou muito. Mas conquistou um sentimento meu desaconselhável.

Certo, vamos parar com códigos e ir direto ao ponto. Você disse que não gostava dela (pra me agradar, porque era conveniente ou era verdade? Tanto faz.) mas agora resolveu procurar conversa. Adivinha? Achou! Eu sei, ela é super simpática. Você acha que ela tem tantos amigos por quê? Ela é linda, espontânea. Não é? E você sempre achou que eu estivesse errada, eu sempre te impedi de fazer amizade com alguém tão legal!

Vou ser mais específica: é como se você me dissesse "Tem razão, ela é melhor do que você. Toda a sua insegurança tem sentido e você vai passar o resto da sua vida à sombra dela. Porque é isso que você é: uma sombra. Alguns veem, acham diferente, mas logo se acostumam porque sabem que só existe durante o dia, logo some."

Você não tem idéia da profundidade que você acessou. É coisa de uma vida inteira, são comprovações de tudo de mais podre que me persegue. É profundo o suficiente pra eu querer você longe, só pra voltar a fingir que não existe. É muita mágoa e agora você faz parte disso. A classe dos suscetíveis à superficialidade, dos que preferem a mediocridade e arriscam a possibilidade.

Se isso te afeta eu não sei, mas quando você ganhou a amizade de msn dela, perdeu tudo o que eu guardava pra você. Se você não quis, ótimo. Eu falei que você me procurasse se minha amizade causasse algum interesse, mas já entendi o não.

Foi melhor que falar.

Obrigada por abrir meu olhos. Eu sempre achei que avisar as pessoas do que eu sinto fosse me prevenir de mais decepções, mas eu percebi que só me deixa mais vulnerável.

Idiota fui eu, de acreditar cegamente em tudo. Obrigada por me deixar mais seletiva, mais fechada.

Seria ridículo culpar você por alguma coisa. O resultado óbvio de tudo o que eu fiz só podia ser isso.

Foi melhor que falar.

Verônica H.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Almost Lover


Almost Lover
A Fine Frenzy

Your fingertips across my skin
The palm trees swaying in the wind
Images

You sang me Spanish lullabies
The sweetest sadness in your eyes
Clever trick

I never wanna see you unhappy
I thought you'd want the same for me

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do

We walked along a crowded street
You took my hand and danced with me
Images

And when you left you kissed my lips
You told me you'd never ever forget these images, no

I never wanna see you unhappy
I thought you'd want the same for me

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do

I cannot go to the ocean
I cannot drive the streets at night
I cannot wake up in the morning
Without you on my mind
So you're gone and I'm haunted
And I bet you're just fine
Did I make it that easy for you
To walk right in and out of my life?

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A peça certa no lugar errado

Em muitos momentos de nossas vidas somos a peça certa no lugar errado. Estamos em um jogo constante em nossas vidas, às vezes estamos passando por uma fase muito tranqüila onde não temos dificuldade alguma.
Há momentos onde passamos por fases extremamente difíceis, tentamos de todas as formas possíveis nós posicionar e recuperar a situação da maneira melhor possível.
Há também aqueles jogadores que desistem na primeira tentativa, e acabam perdendo a oportunidade de passar para uma fase melhor.
A inconstância das coisas que ocorrem em nossas vidas é enorme e faz com que a gente queira jogar cada dia mais e mais.
Passam por todas as fases pessoas boas que são nossos companheiros, aqueles que nós ajudam nos momentos difíceis, eles são nossos amigos, nossas vidas extras, nosso equipamento de ajuda.
Os inimigos são a parte principal do jogo, sem eles não há o que passar o que vencer o que querer mudar.
Durante todas as fases conhecemos mundos diferentes, lugares nunca imaginados, pessoas diferentes. A cada fase de nossas vidas é possível decidir qual caminho seguir, e dependendo das nossas escolhas podemos perder a oportunidade de ser feliz e ganhar o jogo.
Escolhemos as peças erradas para jogar com a gente, enquanto a peça certa está ali na nossa frente só esperando uma oportunidade, um olhar, uma escolha certa...
Existem varias pessoas que preferem acumular o maior numero de peças possíveis, algumas de primeiro plano e outras apenas como válvulas de escape, algo que será usado somente quando nada mais der certo. Há pessoas que preferem jogar sozinhas, tem medo de arriscar e não ter retorno algum.
Quando a fase é muito fácil nós perdermos o interesse, é muito mais gostoso ter o que é mais difícil, passar por aquilo que é mais difícil é mais gratificante. Quem gosta de situações previsíveis, fases fáceis? O bom é viver constante variação, superação, surpreender-se com o que acontece.
Tudo que vem fácil vai fácil, acredite, se você for uma peça de fácil acesso uma fase simples as pessoas pouco vão se importar com você. A tendência é procurar o que não está na nossa frente, e sim algo mais misterioso que vai nós fazer encantar, procurar e descobrir.
Sempre no final de cada fase um grande desafio a ser combatido. Se você não lutar, não passar por dificuldades você não vai sair do lugar. Atrás de um grande objetivo haverá sempre um grande caminho, uma grande luta...
Você passa a vida toda procurando os bônus que ela pode oferecer, você usa peças erradas, talvez até por muito mais tempo que deveria e descarta a peça certa do jogo de sua vida. E quando você se dá conta aquela peça certa que faltava no seu jogo já se modelou para outro jogador, porque não se pode esperar tanto quando se percebe que não há jogo.
Você luta, erra, acerta ganha, faz suas escolhas, é feliz, sorri, chora, se decepciona, passa raiva, passa fases, caminha, tem surpresas, se desespera, se encanta, vacila, faz planos, sonha, realiza, não alcança, usa peças erras, joga fora as peças certas...
Mas sabe o que acontece mesmo que você vai ganhar ou perder? No final de tudo, independente de qualquer coisa o final será o mesmo: Game Over. A única diferença vai ser como você passou pelas fases, quantas vezes você lutou, contra quem ou o que você lutou. Mas o fim de jogo sempre virá.

Rosi Roani

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Signs

Curta dirigido por Patrick Hughes.
Apresentado no Schweppes Online Film Festival.
Que fala sobre comunicação.


Where do you find love? If we knew, we would all know where to look.
Sometimes all you need is a sign.

SIGNS

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Novamente?

Sabe aquele medo, aquela insegurança de não dar certo... de você voltar a viver todos aqueles tormentos, aquelas angústias, as mesmas velhas decepções.
Dores cicatrizadas...Ferimentos cobertos e adormecidos.
E o medo aflora quando surgi um indício de tudo aquilo voltar. Você fica com um pé atrás, de maneira inconsciente vai se afastando aos poucos, criando muralhas em volta de seu já machucado coração...
E quando de repente começas a se deixar levar por novas emoções, novos amores, eis que surgi repentinamente a amiga do medo, ela mesmo, a insegurança!
-"E se não der certo?";-"E se eu me entregar demais?";-"E se...";-"E se..."
Receio de sofrer, de chorar feito criança, de achar que aquilo é o fim...Medo disso, medo daquilo...
E no fundo temos dó do pobre coração que não suporta mais sofrer...coitado, até quando vai aguentar? Será que ele é tão forte assim? Será que ele supera mais uma alfinetada... um chute, uma rejeição? Será que...? Será que...?
E o que fazer?
Tenho medo. Sou forte... mas há momentos, como nesse exato instante que me dá um arrepio, que faz eu perceber o quão meu coração pode ser frágil, e que talvez as muralhas que construí ao redor dele não foram tão fortes como eu imaginava...aliás, nunca são!
Ah coração, tenho dó de ti... já passaste por tantas armadilhas, por tantos abismos...você merece sossego... mas não sossego de amores, amores são sempre bem vindos...Precisa apenas de um tempo dessa insegurança que insiste em te atormentar.
(Hosana Lemos)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Persistência...

Texto 1
Ela queria um carinho. Olhou pra ele triste e sozinho, e disse:
- Você quer um abraço?
Ele olhou assustado pra bela moça parada exatamente à alguns centímetros dele, lhe olhando com os olhos simples e carregados de humildade.
- Não precisa... Acho que você não iria gostar dele.
- E porque não?
- Porque ninguém gosta dele, não é de se suspeitar que será tão mal que você também não irá gostar. Não quero decepcioná-la... Não tente...
Ela pousou o dedo indicador sobre a boca e pediu silencio.
- Oras, deixe de tolice. Se tu não agradaste à tua amada, é porque ela não é para ti. Agora não me deixe desistir de tentar. Nem pra todo mundo é igual, pra mim pode ser que ele seja bom. Anda vamos, venha cá.
Ele olhou pra ela desconfiado, levantou da grama e saiu andando.

Certo dia, ele voltou sorridente e disse:
- Agora podes me abraçar.
Ela lhe fitou intrigada.
- E por que antes não?
- Porque meu coração estava tão doente e ferido que ele somente iria usar você, para causar dor a moça que me rejeitou, e isso só iria me causar mais dor. Esperei que a dor cessace. Agora podes me abraçar com todo o amor; agora sim, sentirei o que sentes por mim em apenas um abraço.
Ela sorriu pra ele, chegou mais perto e lhe abraçou com força e com carinho abundante. Ele olhou pra ela surpreendido e com um brilho nos olhos.
- Tu tinhas razão sobre ser diferente com ela, talvez seja porque não havia mesmo amor. E eu não havia me dado conta.

Texto 2
Às vezes, desistimos de tentar, e persistimos somente nas derrotas. Firmamos num horizonte vazio e obscuro. 'AH, mas isso não dará certo'. E muitas vezes nem dão mesmo. O pessimismo, força que atraia coisas ruins do universo? Dá arrepios só de pensar nesta possibilidade de solução. Pensar em coisas boas? Somente isso resolverá meus problemas? Bom, resolver talvez não, depende da situação em que se encontra. Mas acho que dá menos dor de cabeça, e extress. E sabe-se que às vezes, um determinado problema sem solução nos causa uma tremenda dor de cabeça, e então nos isolamos, ignoramos as pessoas, ofendemos até algumas, e isso só atraí mais e mais problemas. Sorrir, já basta. Deeeeixa pra lá. Xó problema! Quero saber disso não!

http://comentalanomeublog.blogspot.com/2009/10/persistencia.html

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Frases de filmes...


Introdução do filme: O amor não tira férias.
-Comprovei que tudo que já foi escrito sobre o amor é verdade. Shakespeare disse: "as buscas terminam com o encontro dos apaixonados". Que idéia maravilhosa!! Pessoalmente, eu nunca passei por nada parecido com isso. Mas estou convencida de que Shakespeare já. Suponho que penso no amor mais do que deveria; me admira o grande poder do amor em alterar e definir as nossas vidas. Shakespeare também disse que o amor é cego. Isso sei que é verdade. Para alguns, sem explicação, o amor se apaga. Para outros o amor se vai.. ou brota quando menos se espera, mesmo que seja só por uma noite.No entanto, existe outro tipo de amor. O mais cruel... aquele que quase mata suas vitimas. Chama-se "amor não correspondido". E nesse tipo, sou experiente. A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente. Mas, o que acontece com os demais? E as nossas histórias? Aqueles que se apaixonam sozinhos? Somos vitimas de uma relação unilateral. Somos os amaldiçoados dos amantes, somos os não amados. Os mortos vivos, os deficientes sem estacionamento reservado..."

“Eu sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante e como isso doi em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo você faça, quantas vezes vá a academia ou quantas garrafas você toma com suas amigas, você continua indo pra cama todas as noites… repassando todos os detalhes e se perguntando o que fez de errado ou como pôde ter entendido errado.. ou como por aquele momento pensou que era feliz. Até se convence que um dia ele irá se arrepender e virá bater na sua porta…e depois de tudo, ainda que essa situação tenha durado muito tempo, vc vai para um lugar novo e conhece pessoas que te fazem sentir útil de novo... e vai recompondo sua alma, pedaço a pedaço... e toda aquela confusão, os anos desperdiçados da sua vida começam a desaparecer...” O Amor Não Tira Férias


"Show me. Where is this love? I can't see it. I can't touch it. I can't feel it. I can't hear it. I can hear some words but I can't do anything with your easy words. Whatever you say, it's too late." Closer


"Garotas aprendem muitas coisas crescendo.
Nunca tente se auto proibir..
E um dia, encontrará um cara maravilhoso e terá um final feliz.
Todo filme que vemos,toda história contada, nos implora para que esperemos a reviravolta do 3º ato. A inesperada declaração de amor. A exceção à regra.
Mas, às vezes, nos focamos tanto em achar nosso final feliz,que não aprendemos a ler os sinais. Como distinguir os que nos querem e os que não? Os que ficam e os que vão embora.
Talvez, esse final feliz não inclua um homem incrível. Talvez, seja você por conta própria.
Catando os pedaços e recomeçando. Se guardando para algo melhor no futuro.
Talvez o final feliz seja apenas seguir em frente. Talvez, o final feliz seja fazer isto: passando pelas ligações não retornadas e corações partidos, por todos os erros e sinais não vistos, pela dor e vergonha. Nunca perca a esperança."
Ele não está tão afim de você


- Ria, e o mundo rirá com você. Chore e chorará sozinho.
Old Boy


"Emily, sempre a dama de honra, nunca a noiva."
"Diga-me, Emily, o coração ainda se desilude depois que para de bater?"
A noiva cadáver


Cena em que ele ta no hospital e a médica pergunta o pq dele ter cortado o próprio dedo...
"Eu queria sentir no meu corpo.... tanta dor quanto sinto no coração "
Banquete do Amor


Divã:

"- O fim nunca é bom, se fosse bom... seria o começo."

"A gente só transformou uma vida chata em duas divertidas."

"Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor."

"A gente fica a vida inteira procurando a outra metade da laranja, não seria mais fácil se nos fossemos uma laranja inteira?!"

"Se você não queria ser infeliz comigo, saberá ser infeliz sozinha?"

"Se eu sinto culpa? Aiiiii sinto!!! Sinto uma culpa de não sentir culpa alguma."

"Odeio intuição feminina a minha, nunca falha"

"E se eu te disser que estou com medo de ser feliz pra sempre, o que você diria? "

"A gente procura um analista em busca de definições. E depois de quase 3 anos juntos você descobre, que não há definição. Vida é falta de definição. É transitória mesmo. Agora eu entendi. Não tem a portinha certa. Não tem o mapa da mina. O mapa muda toda hora. A mina pode explodir a qualquer hora e qualquer lugar. Não é assim? Acho que eu vou te dar alta! Porque eu nunca vou estar pronta. Tudo que eu preciso é conviver bem com meu desalinho, com minha inconstância e com as surpresas que a vida traz. Ah, por falar em surpresas, estou adorando os quadros que estou fazendo. Tá sendo uma terapia pra mim. De resto Lopes, a vida continua. O sol continua manchando a minha pele, meus filhos continuam me dando trabalho. Mel Gibson? Continua firme e forte na minha imaginação. Tá rindo? É sinal que a minha vida tem graça. Porque agora eu sei, se eu tive problema um dia, não foi por falta de felicidade, não foi mesmo!"
Divã

sábado, 10 de outubro de 2009

::: Divã :::

Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos. Nossa, pareço uma metralhadora disparando informações como se estivesse preenchendo um cadastro para arranjar marido. Ponha na conta da ansiedade. A propósito, tenho marido e tenho três filhos.

Sou professora, lecionei por muitos anos em duas escolas, mas depois passei a me dedicar apenas às aulas particulares, ganho melhor e sobra tempo para me dedicar à minha verdadeira vocação, que são as artes plásticas. Gosto muito de pintar, montei um pequeno ateliê dentro do meu apartamento, ali eu me tranco e é onde eu consigo me encontrar. Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas.

Às vezes me sinto uma mulher mascarada, como se desempenhasse um papel em sociedade só para se sentir integrada, fazendo parte do mundo. Outras vezes acho que não é nada disso, hospedo em mim uma natureza constestadora e aonde quer que eu vá ela está comigo, só que sou bem-educada e não compro briga à toa. Enfim, parece tudo muito normal, mas há uma voz interna que anda me dizendo: "Você não perde por esperar, Mercedes." É como se eu tivesse, além de uma consciência oficial, também uma consciência paralela, e ela soubesse que não vou segurar minhas ambigüidades por muito tempo.

Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessa horas não sei aonde vão parar minhas idéias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.

Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também. Prepare-se para uma terapia de grupo.

Martha Medeiros

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Olha, Menino...

Sou de gêmeos. Um signo de ar, mutável. Eu me distraio com tudo e você não imagina a facilidade que eu tenho de viajar sem sair do lugar. Mas nem tudo que nasceu comigo, ficou. Algumas situações amarraram meus pés no chão, fazendo com que eu me agarrasse firmemente à realidade. Paixões platônicas, Lindo, são para crianças. Foi isso que eu repeti silenciosamente, até me convencer. E deu certo. Quando começo a me iludir por alguém, racionalizo tudo: Por que eu me interesso tanto por ele? Por que ele se interessaria por mim? Por que a gente daria certo? E funciona! Esqueço com impressionante rapidez do meu interesse. Ah, as coisas ficam tão mais fáceis desse jeito! Você não sabe, Menino, mas eu machuco as pessoas. Eu faço com que elas se apaixonem por mim como um desafio, como uma criança testando seus limites. Então enjoo do meu jogo e não dou explicações. Destruo corações que se abrem pra mim com tanto esforço, na esperança de terem encontrado alguém legal. Ainda dá pra você fingir que não me viu. Se der tempo, se você tiver o raro dom de controlar seu coração, se o sentimento não estiver suficientemente forte à ponto de você se prender, fuja. Se você nem ao menos me diferencia das outras pessoas que te cercam, como eu imagino, permaneça assim. Não se aproxime, não se apaixone. Não me escolha como a eleita dos seus dias. Escolha uma dessas meninas com perfis de orkut todos iguais, que gostam de msn, que querem ser pedidas em namoro. Essas meninas que choram e sofrem, depois esquecem e ficam submissas. Dessas que conseguem se apaixonar, se apegar, amar. Eu não sou assim. Eu sou fria e jogo com as pessoas - não por maldade, mas porque inconscientemente me envolvo com brincadeiras, que na verdade são vidas de gente que ama e sofre de verdade. É, procure a saída mais próxima e parta de vez para uma relação humana, comum, sólida, eterna na sua duração e cheia de palavras e promessas de carinho. Eu tenho aflição de toque e sou incapaz de jurar amor sem pensar e ter certezas.

Eu tentei racionalizar você. Fiz minha cartilha e decorei minha fala: não tenho motivos para me apaixonar. Mas por que é que eu conseguia falar com todo mundo, menos com você? O que me impedia de ser a excêntrica de sempre? Eu mal conseguia te falar 'oi'! Não é ridículo? Nas minhas férias, deu certo, não lembrava mais o motivo de eu ter me encantado, nem estava com saudades de ficar estática perto de você. Deduzi que você me achava a pessoa mais estranha do mundo, não cumprimentando, sentando ao seu lado no ônibus e só lembrando de respirar na hora de descer no ponto... É, a garota que não fala e não respira! Eu acharia louca, esquizofrênica. Não tiro sua razão, se você achar tudo isso de mim. Pode fugir agora, porque eu tenho um potencial enorme pra te trazer dor.

As férias acabaram, e eu vi você. Ah, como eu queria não ter visto! Como eu queria não ter lembrado da sensação de esquecer do oxigênio! Deletei a frase, mesmo achando impossível deletar alguma coisa da mente como num computador. E alguns dias depois, quando eu criei coragem de me aproximar e conversei com um amigo nosso em comum perto de você, consegui não ser idiota. Você não tem ideia do que é isso, não é? Se soubesse o que eu passo por sempre falar alguma coisa inapropriada quando eu menos quero, acharia linda minha façanha. Eu consegui ser simples, consegui não reclamar de nada, não falei palavrões, nem expus minhas inseguranças. Um desafio vencido. E então você começou a me falar 'oi'. Sabe o que é mais estranho? Eu sentia que você, por algum motivo, desviava o olhar quando eu cumprimentava algum amigo seu por perto. Não fazia contato visual de jeito nenhum, e eu ficava sem graça de te cumprimentar. E agora é você sorri e procura meu olhar, que às vezes desvio sem querer. Talvez você se sentisse assim: com medo de ser engolido, ou de admitir alguma coisa presa. Eu fujo dos seus olhos, mas depois me lembro de como me sentia na situação inversa. 'Oi', 'tchau' ou um sorriso, significando qualquer uma das duas opções anteriores, nossos diálogos não se expandem, mas nossos sorrisos, sim.

E no dia que a gente conversou pela primeira vez, por mais bobo e cotidiano que fosse o assunto, consegui ser natural. Perdi a ordem das pernas ao ir embora, mas você nem ficou sabendo desse detalhe. Foi um diálogo tão importante pra mim e você jamais saberá. Eu guardo pra mim toda a profundidade que eu queria dividir com você. Eu tenho medo de te assustar. Me controlo tanto quando você está perto... Com seus amigos falo besteira, falo demais, brinco. Mas não quero que você me ache vulgar, insana. Olha, Menino, o que eu procuro, é uma coisa estranha que muitas meninas passam pela vida sem conhecer ou sentir falta: compatibilidade. Eu procuro eu mesma nos outros, ou algo parecido. Você tem o que eu procuro e eu sei disso sem nunca termos conversado de verdade. Você gostaria de mim, se me desse espaço para mostrar. Eu sei disso.

Mas hoje, Lindo, é a última vez que eu vou passar horas sofrendo por você. Acabei de decidir, olha só que coisa boa. Porque é verdade, me apaixonei pela primeira vez e não fui correspondida pela primeira vez, mas as pessoas vivem sobrevivendo a esse tipo de coisa. Eu mesma já me levantei dos buracos mais escuros e voltei a caminhar. Se eu estiver enganada e você simplesmente for tímido demais pra sempre aproximar, esse risco fica por sua conta, porque não esperarei mais um sorriso seu pra ir embora. Assim como também não ficarei mais chateada por você não ter se despedido na sexta-feira e eu ter que esperar até segunda pra descobrir se você estava me evitando ou só com pressa. Não odiarei mais as meninas que te cercam e conseguem conversar com você enquanto eu só falo com os outros, tentando chegar perto. Dá pra viver em função de alguém que nem ao menos demonstra preocupação comigo? Não, não dá.

Hoje decidi te esquecer, mas amanhã vou te ver. Ah, esquece esse texto todo. Deixa só eu olhar pra você, sem respirar, sem falar, sem me mover. Acho que esse é o relacionamento mais humano que eu já tive: Só eu sinto, só eu sofro, só eu acho que existe.

Verônica H.

domingo, 4 de outubro de 2009

Me diga, como é viver com um pai em casa?

Como é acordar com sua voz bebendo café, ouvir seu bom-dia atrasado ao serviço? Como é ter um pai entrando no quarto secretamente, para ver se finalmente dormi? Um pai que confere a extensão das cobertas e se as janelas estão fechadas? Um pai que coloca remédio de mosquito e esfrega a manga morna do pijama em minha testa? Como é ter um pai que me acompanha na consulta ao médico? Um pai que assina o boletim? Como é ter um pai perseguindo baratas pela tranqüilidade doméstica? Como é brincar com um pai: aprender a dobradura de papel de chapéu e barcos? Como é ter um pai para perguntar que horas ele voltou do trabalho? Como é empurrar um pai pelos barulhos estranhos no pátio? Como é ter um pai angustiado com a demora materna, e que me dá banho, me oferece janta e esconde sua preocupação? Como é ter um pai para segurar as lâmpadas enquanto ele sobe na escada? Como é ter um pai para se escorar enquanto ensaio a primeira seqüência de passos? Como é andar de bicicleta com um pai? Observar atrás se ele me segue? Como é escutar o ronco terrível do pai e se sentir protegido? Como é ter um pai para reclamar docilmente da mãe, dizer que ela não me entende? Como é ter um pai que não me entende? Como é ter um pai para freqüentar a casa dos avós no final de semana? Como é ter um pai para xingar e logo após reaver a gentileza do abraço? Um pai que estará no seu escritório, num lugar certo, a facilitar minha desculpa? Como é ter um pai para responder com confiança aos seus conhecidos como está meu pai? Um pai para me levar aos jogos de futebol e ocupar o trajeto de volta comentando o resultado? Como é ter um pai para receber presentes de aniversário, e me ajudar a retirar o papel bonito sem estragar? Como é ter um pai para sanar as dúvidas das aulas, as operações difíceis, as curiosidades sobre planetas, estrelas e bichos? Como é ter um pai mais rápido do que o dicionário e que conta o que significa tal palavra? Como é ter um pai com passado? Como é ter um pai chateado, endividado, alinhando contas do que não podemos mais gastar? Como é ter um pai com emprego novo, que não pára de falar das novidades no almoço? Como é ter um pai para pedir o carro emprestado? Um pai para inventar uma mentira e dormir fora de casa? Como é ter um pai aguardando na saída da escola? Como é ter um pai preocupado, confessando que perdeu o sono quando na verdade o esperava na madrugada? Como é ter um pai para me convencer que as dores passam, que amanhã estarei bom, que eu tive coragem? Como é ter um pai a me orientar - de um modo patético - sobre transar com segurança? Como é ter um pai beijando a mãe, sussurrando qualquer coisa que a faça rir, e eu me escondendo para que não me vejam? Como é ter um pai para sair ao cinema, e escorrer pipocas pelas suas mãos? "Como é ter um pai para sentir saudade devagarinho, de um dia para outro ou por algumas horas?" Como é ter um pai preocupado em fotografar a família nas férias? Como é ter um pai festejando uma promoção com jantar no restaurante predileto e só entender sua alegria? Como é ter um pai histérico, procurando seus óculos, seus livros e cartões extraviados? Como é ter um pai alegando que estava nervoso depois de uma grosseria e compreender que é o máximo que ele se aproximará de um perdão? Como é suportar um pai cantando desafinado suas músicas antigas? Como é ter um pai a me socorrer e convencer a mãe a gostar de minha namorada? Como é sentar no sofá com um pai e assistir um filme reprisado e comentar: “esse eu já vi”: e continuar assistindo a amizade de sentar ao lado dele? Como é ter um pai para ser parecido com ele? Como é ter um pai vibrando com minha aprovação no vestibular, pregando faixas na frente da residência? Como é ter um pai para procurá-lo nas centenas de poltronas da formatura? Como é ter um pai que explica que “as coisas eram diferentes no seu tempo”? Como é ter um pai que não descobriu que envelheceu porque empresto meus olhos da infância? Como é ser espetado no rosto pela barba do pai? Faz coceira, arranha?

Sempre quis saber...


(Fabrício Carpinejar)

sábado, 3 de outubro de 2009

Silêncio


Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada.
Já que sou tão imprópria, inadequada, boba.
Já que nunca basto e se tento me excedo.
Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo.
Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável. Meu riso incomoda.
Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca.
Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança.
Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice.
Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais.
Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão.
Minhas constatações boas matam o amor.
As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis.
Minhas palavras cuidadas incomodam.Minhas palavras jogadas, mais ainda.
Minhas opiniões sempre se alongam e cansam.
Minhas histórias acabam sempre no egocentrismo ou preconceito.
Meu sem fim dá logo vontade de encurtar.
Minha construção, desconstrói. Meus convites quase nunca agradam.
Meus pedidos sempre desagradam. Meus soquinhos de frases são jovens demais.
Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra.
Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego.
Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula.
Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim.
Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar.
Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto.
Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas?
É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário?
Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não dizer.
Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim.
Se digo algo sobre a vida dele, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida.
Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse?
Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas.
Se provoco, eu que provoque sozinha porque ele não é trouxa de cair.
Sobre livros, nunca são os que interessam.
Sobre minha reportagem, nem quis ler.
Meu trabalho nunca foi e nunca será da mulher dos sonhos.
Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta.
É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba.
Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba.
Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem só existe ele.
Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo.
Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno.
Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca.
Sobre prazer toca pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende.
E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra.
E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar.
Mas quando termino, ele já não está mais. Se repito, quase explode.
Se digo uma, sou boa de ser guardada em algum lugar que nunca vejo.
Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca.
Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado.
Se for o que eu não penso, errei por não pensar.
Se não for nada disso, eu que pensasse antes.
Se estou animada, cuidado com a rasteira.
Se estou desanimada, não tem mão pra levantar.
Nada. Não vou sussurrar. Nem gemer. Nenhum som.
Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ele.
Lembrando de quando ele me disse que é no silêncio que se sabe a verdade.
E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento.
O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir.
Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira.

Tati Bernardi

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quem Quer Pôr Terno No Macaco?

Semana passada ouvi de um grande amigo uma grande verdade: “Chega uma hora na vida que você tem que abrir mão do selvagem dentro de você para manter amigos, empregos e constituir família. Ou você pode escolher ser um louco e viver sozinho.”

No meu último emprego, quando pedi demissão, ouvi do meu chefe, também um grande homem em raras ocasiões: “Toda essa sua mania de ser louquinha e falar o que pensa, só vai te garantir um emprego fixo: banda de rock.”

Acho que todos têm razão. E venho tentando, com orações dadas pela minha mãe desesperada com meu jeitinho nada meigo, yoga, terapia, sexo, pilates, mantras e muita conversa com amigos em geral, ser uma pessoa mais equilibrada.

Uma amiga me disse: “Quem briga por tudo e quer medir poder com todo mundo, na verdade está tentando provar que não é um bosta, tá brigando consigo mesmo”.

Pura verdade, quando minha auto-estima está em suas piores fases, é aí que a coisa pega: fico com mania de perseguição, acho que tá todo mundo querendo foder comigo, que existe um complô universal contra a minha frágil pessoa. Meu ataque nada mais é do que a defesa amedrontada de uma menina boba.

Mas a verdade é que eu odeio o equilíbrio. Porra, se eu tô puta, eu tô puta! Se eu tô com ciúme, não vou sorrir amarelo e mostrar controle porque preciso parecer forte e bem resolvida. Se o filho da puta que senta do meu lado é um filho da puta, eu não vou fazer política da boa vizinhança, eu vou mais é berrar e libertar essa verdade de dentro do meu fígado: você é um grandessíssimo filho de uma puta! Se a vaca da catraca do teatro me tratou mal, eu vou mais é falar mesmo que ela é uma horrorosa que não vê pica há anos, ou melhor, que a última pica que viu foi do padrasto que a estuprou!

O sangue ferve aqui dentro, e eu não tô a fim de transformá-lo num falso líquido rosa que um dia vai me dar um câncer. Eu não tô a fim de contar até 100, eu quero espancar a porta do elevador se ele demorar mais dois segundos, quero morder o puto do meu namorado que apenas sorri seguro enquanto eu me desfaço em desesperos porque amar dói pra caralho, quero colocar TODAS as pessoas do meu trabalho que falam “Fala, floRRRR!” ou “Precisamos disso ASAP” numa câmera de gás peristáltico.

Eu sou antipática mesmo, o mundo tá cheio de gente brega e limitada e é um direito meu não querer olhar na cara delas, não tô fazendo mal a ninguém, só tô fazendo bem a mim. Minha terapeuta fala que eu preciso descobrir as outras Tatis: a Tati amiga, a Tati simpática, a Tati meiga, a Tati que respira, a Tati que pensa, a Tati que não caga em tudo porque deixou a imbecil da Tati de cinco anos tomar as rédeas da situação.

Ela tem razão, mas é tão difícil ver todos vocês acordando de manhã sem nada na alma, é tão difícil ver todos os casais que só sobrevivem na cola de outros casais que só sobrevivem na cola de outros casais, é praticamente impossível aceitar que as contas do final do mês valham a minha bunda sentada mais de 8 horas por dia pensando o quanto eu odeio essa gente que se acha “super” mas não passa de vendedor de sabonete ambulante.

É tão difícil ser mocinha maquiada em vestido novo e sapato bico fino quando tudo o que eu queria era rasgar todos os enfeites e cagar de quatro no meio da pista enquanto as tias chifrudas bebem para esquecer as dúvidas ao som de “Love is in the air”.

Parem de sorrir automaticamente para tudo, humanos filhos da puta, admitam que vocês não fazem a menor idéia do que fazem aqui. Admitam a dor de estar feio, e admitam que estar bonito não adianta porra nenhuma.

Eu já me senti um lixo de pijama com remela nos olhos, mas nunca foi um lixo maior do que me senti gastando meu dinheiro numa bosta de salão de beleza enquanto crianças são jogadas em latas de lixo porque a total miséria transforma qualquer filho de Deus em algo abaixo do animal.
Mas eu não faço nada, eu continuo querendo usar uma merda de roupinha da moda numa merda de festinha da moda no meio de um monte de merdas que se parecem comigo. Eu quero feder tanto quanto eles para ser bem aceita porque, quando você faz parte de um grupo, a dor se equilibra porque se nivela.

E eu continua perdida, sozinha, achando tudo falso e banal. Acordando com ressaca de vida medíocre todos os dias da minha vida.

Grande merda de vida, você muda a estação do rádio para não reparar que a menina de dez anos parada ao lado do seu carro, já tem malícia, mas não tem sapatos. Você dá mais um gole no frisante para não reparar que a moça da mesa ao lado gostou do seu namorado, e ele, como qualquer imperfeito ser humano normal, gostou dela ter gostado.

Você disfarça, a vida toda você disfarça. Para não parecer fraco, para não parecer louco, para não aparecer demais e poder ser alvo de crítica, para ter com quem comer pizza no domingo, para ter com quem trepar na sexta à noite, para ter quem te pague a roupa nova e te faça sentir um bosta e para quem te pede socorro, você disfarça cegueira.

Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece, e louco acaba sozinho. Vão querer te encarcerar numa sala escura e vazia, ninguém quer ter um conhecido maluco que lembra você o tempo todo da angústia da verdade e de ter nascido. Você passa a vida cego, mentindo, fingindo, teatralizando o personagem que sempre vence, que sempre controla, que sempre se resguarda e nunca abre a portinha da alma para o mundo. Só que a sua portinha um dia vira pó, e você morre sem nunca ter vivido, e você deixa de existir sem nunca ter sido notado. Você é mais uma cara produzida na foto de mais uma festa produzida, é um coadjuvante feliz dessa palhaçada de teatro que é a vida.

Você aceitou tudo, você trocou as incertezas da sua alma pelas incertezas da moça da novela, porque ver os problemas em outros seres irreais é muito mais fácil e leve, além do que, novela dá sono e você não morre de insônia antes de dormir (porque antes de dormir é a hora perfeita para sentir o soco no estômago).

Você aceita a vida, porque é o que a gente acaba fazendo para não se matar ou não matar todos os imbecis que escutam você reclamar horas sem fim das incertezas do mundo e respondem sem maiores profundidades: relaaaaaaaaaaaaaxa!

Eu não vou fumar, eu não vou cheirar, eu não vou beber, eu não vou engolir, eu não vou fugir de querer me encontrar, de saber que merda é essa que me entristece tanto, de achar um sentido para eu não ser parte desse rebanho podre que se auto-protege e não sabe nem ao certo do quê. Eu não vou relaxaaaaaaaaaaaaaaaaaar.

A única verdade que me cala um pouco e, vez ou outra, me transforma em alguém estupidamente normal é que virar um louco selvagem que fala o que pensa, sem amigos e sem namorados, só é legal se você tiver alguém pra contar o quanto você é foda no final do dia.

Tati Bernardi