terça-feira, 3 de novembro de 2009

::: Quero ser Verônica. :::

Quando eu me vejo assim, pequena e oprimida, não sou Verônica.

Aliás, nesses casos, Verônica me olha com desprezo e ri. Abaixou a cabeça mas uma vez, idiota. Nunca vai ser igual a mim.

Verônica é fria e se rebela. Não aceita ordens se não concordar com seus motivos, questiona e argumenta pra conseguir o que quer. Eu não. Fico calada e dou razão. Perco oportunidades pra manter a paz. Ao caralho com a paz. É de mentira mesmo. É uma hipocrisia filha da puta. É harmonia fingida e exigida pelas aparências.

Verônica me ensinou a falar palavrões. Alivia. Ensinou a reclamar, mentir, atuar, seduzir. Só falta colocar o aprendizado em prática. Só falta agir sem me esconder nesse nome.

Sou Verônica no grito. Quando não pergunto antes de fazer. Quando me acabo de dançar e bebo mais que um copo. Sou Verônica sorrindo, quando pouco me importo com a opinião dos outros. Verônica me toma nos braços quando minto meu nome, idade e profissão só por diversão. É uma fora da lei. Despedaça corações e sorri experiente enquanto eu me culpo por fazer alguém sofrer mais uma vez.

Verônica escreve, atua, fotografa, dança, canta. E eu a invejo. Ela vive num lugar quentinho e seguro dentro de mim e só aparece quando quer. Ela só fala o que quer e só convive com quem gosta. Não tem obrigações nem escrúpulos, não sofre e não engole sapos. Não aceita desaforos de ninguém. Quando ela aparece me dá forças e quando vai embora me deixa jogada. E eu a invejo. Porque no fundo eu sei que eu projetei minha verdade numa personagem que é tudo o que eu tenho medo de ser.

Verônica H.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Férias


Estou tirando férias de mim. Férias das dúvidas que me derrubam, das ilusões que me levantam, porque tudo isso é muito temporário. E viver assim de pouquinho, sem nenhuma fixação, às vezes cansa. Esperar cada novo dia, cada novo olhar pra saber se posso ser feliz, não me faz feliz de verdade. Um sorriso e o balanço do dia é positivo, posso dormir à noite. Um cumprimento não correspondido e acho que tudo está errado. Mas se eu fico tão bem quando não dependo de opiniões, ações, gestos, por que insito em deitar nos braços do mundo e me deixar abater?

Não existe ninguém que pode me fazer mais feliz hoje e ter essa consciência muda o humor, muda a disposição, muda as vontades. Sabe o que é? As pessoas não me fazem bem, minha idealização delas me engana por um tempo, mas saio fatalmente mal das relações que eu invento. Então por que não me curtir um pouco - me sentir mais leve, mais bonita, mais interessante, já que o fantasma da obrigação de agradar não está me seguindo? Essa é uma daquelas fases de sorrir e não querer saber o motivo, de férias mesmo. De tudo que eu me cobro todos os outros dias do ano, depois me cobro por não ter tempo de cumprir.

Eu cansei de não me satisfazer comigo, não me guardar pra mim. De estar sempre escorrendo, vazando pelas beiradas. De precisar de opinião alheia por ser tudo ao mesmo tempo e esperar reconhecimento por isso. É tanta coisa aqui dentro, tanta coisa que eu tento melhorar e aprender todos os dias, que eu conto toda minha vida pra quem eu acabo de conhecer e fico chateada quando não me dão o valor que eu penso merecer. Mas ei, qual o problema? Nem todo mundo acha que ler e escrever (além do sentido banal de ler e escrever), é interessante. Nem todo mundo precisa saber que uma clave de sol não é um S, nem um G, e deduzir que eu gosto de música só de olhar pra mim. Não adianta chegar numa festa cheia de barulho e gente e querer conversar, achando que antes do cara sugar um pouquinho da minha alma, deve saber que eu não sou umas dessas mulheres vazias, sem uma alma para ser sugada. Tem mais que vento dentro de mim, mas isso é meu. Não faz diferença eu agir como uma pessoa superficial e querer explicar pra todo mundo que eu não sou. Sempre me arrependo de sair, ir a lugares que não têm nada a ver comigo. Mas eu tenho essa necessidade fútil de ser vista. Quando eu me escondo em casa, me sinto anulada. Preciso da opinião dos outros, de elogios. Quando alguém mostra que se lembrou de mim, adoro. Se diz que sentiu minha falta, tenho mais motivos pra sorrir. Quem precisa saber? Por que é que eu me importo com quem não me conhece?

E hoje não vou fazer isso. Não vou ceder, não vou me preocupar. Vou entrar em férias de mim, balancear os pneus, checar o óleo. Vou me amar. Pra depois tentar, quem sabe, amar alguém.

Verônica H

domingo, 1 de novembro de 2009

E então?

Fala o que queres de mim...
Tirar minha sanidade?
Embaralhar minha cabeça ao ponto de eu perder o senso da razão?
Decida-se, me ama ou me deixa.
Só imploro que não me abandone à dúvida, que não me dê brechas para um 'e se...'
Explique-me, esclareça, ponha tudo em pratos limpos...
Um basta definitivo, um ponto final nítido.
Essa dúvida me mata, esse jogo de paradoxo acaba comigo...tuas antíteses me ferem e me corroe por dentro.
Diz uma coisa e fazes outra...a cada volta no relógio um novo humor, a cada conversa uma nova opnião, a cada encontro um desentendimento, uma confusão, um mártire.
Me liberta, me solta, me deixa ir se assim for...mas não deixe-me acorrentada as tuas dúvidas, as tuas inconstâcias, a você!
Decida-se e me diga, eu preciso voltar a viver...preciso voltar a ser quem eu sou.
Não tenho medo de teu 'não'...o que me assombra é a incerteza de teu 'talvez'.
Só te peço a verdade, e que se essa verdade vier para doer, que doa!
Me diz o que tiver a me dizer, me mostra o que tens a me mostrar...
Fala o que talvez eu não queira ouvir, mas só te peço que me dê o breve e doce gosto da certeza.

(Hosana Lemos)

sábado, 31 de outubro de 2009

::: Para ler ouvindo: Almost lover- A fine Frenzy :::

Vou tentar te fazer entender, mesmo que você não tenha perguntado. Só quero explicar tudo e falar com você pela última vez, se necessário.

Você ficou mal quando eu terminei, mas insisto que foi pelo seu bem. Seria pior comigo e não vou repetir todas as minhas razões que tanto te irritam porque você só finge entender. Tentar me entender foi um grande desperdício de tempo. Eu nunca me apaixonei por você, mas sempre gostei muito. Principalmente porque achei que você gostasse de mim. Admirei seu coração e respeitei seus medos. Agora, já não sei se ainda sinto.

Lembra da minha coleção de decepções? Você faz parte dela agora. Não definitivamente pela minha mania de preferir acreditar na inocência. Foi tudo uma coincidência até que se prove o contrário.

Foi algum tipo de vingança ou foi só por acaso? Qualquer das opções foi muito infeliz. Se você queria me ver mal, acertou muito. Mas conquistou um sentimento meu desaconselhável.

Certo, vamos parar com códigos e ir direto ao ponto. Você disse que não gostava dela (pra me agradar, porque era conveniente ou era verdade? Tanto faz.) mas agora resolveu procurar conversa. Adivinha? Achou! Eu sei, ela é super simpática. Você acha que ela tem tantos amigos por quê? Ela é linda, espontânea. Não é? E você sempre achou que eu estivesse errada, eu sempre te impedi de fazer amizade com alguém tão legal!

Vou ser mais específica: é como se você me dissesse "Tem razão, ela é melhor do que você. Toda a sua insegurança tem sentido e você vai passar o resto da sua vida à sombra dela. Porque é isso que você é: uma sombra. Alguns veem, acham diferente, mas logo se acostumam porque sabem que só existe durante o dia, logo some."

Você não tem idéia da profundidade que você acessou. É coisa de uma vida inteira, são comprovações de tudo de mais podre que me persegue. É profundo o suficiente pra eu querer você longe, só pra voltar a fingir que não existe. É muita mágoa e agora você faz parte disso. A classe dos suscetíveis à superficialidade, dos que preferem a mediocridade e arriscam a possibilidade.

Se isso te afeta eu não sei, mas quando você ganhou a amizade de msn dela, perdeu tudo o que eu guardava pra você. Se você não quis, ótimo. Eu falei que você me procurasse se minha amizade causasse algum interesse, mas já entendi o não.

Foi melhor que falar.

Obrigada por abrir meu olhos. Eu sempre achei que avisar as pessoas do que eu sinto fosse me prevenir de mais decepções, mas eu percebi que só me deixa mais vulnerável.

Idiota fui eu, de acreditar cegamente em tudo. Obrigada por me deixar mais seletiva, mais fechada.

Seria ridículo culpar você por alguma coisa. O resultado óbvio de tudo o que eu fiz só podia ser isso.

Foi melhor que falar.

Verônica H.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Almost Lover


Almost Lover
A Fine Frenzy

Your fingertips across my skin
The palm trees swaying in the wind
Images

You sang me Spanish lullabies
The sweetest sadness in your eyes
Clever trick

I never wanna see you unhappy
I thought you'd want the same for me

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do

We walked along a crowded street
You took my hand and danced with me
Images

And when you left you kissed my lips
You told me you'd never ever forget these images, no

I never wanna see you unhappy
I thought you'd want the same for me

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do

I cannot go to the ocean
I cannot drive the streets at night
I cannot wake up in the morning
Without you on my mind
So you're gone and I'm haunted
And I bet you're just fine
Did I make it that easy for you
To walk right in and out of my life?

Goodbye, my almost lover
Goodbye, my hopeless dream
I'm trying not to think about you
Can't you just let me be?
So long, my luckless romance
My back is turned on you
Should I known you'd bring me heartache?
Almost lovers always do

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A peça certa no lugar errado

Em muitos momentos de nossas vidas somos a peça certa no lugar errado. Estamos em um jogo constante em nossas vidas, às vezes estamos passando por uma fase muito tranqüila onde não temos dificuldade alguma.
Há momentos onde passamos por fases extremamente difíceis, tentamos de todas as formas possíveis nós posicionar e recuperar a situação da maneira melhor possível.
Há também aqueles jogadores que desistem na primeira tentativa, e acabam perdendo a oportunidade de passar para uma fase melhor.
A inconstância das coisas que ocorrem em nossas vidas é enorme e faz com que a gente queira jogar cada dia mais e mais.
Passam por todas as fases pessoas boas que são nossos companheiros, aqueles que nós ajudam nos momentos difíceis, eles são nossos amigos, nossas vidas extras, nosso equipamento de ajuda.
Os inimigos são a parte principal do jogo, sem eles não há o que passar o que vencer o que querer mudar.
Durante todas as fases conhecemos mundos diferentes, lugares nunca imaginados, pessoas diferentes. A cada fase de nossas vidas é possível decidir qual caminho seguir, e dependendo das nossas escolhas podemos perder a oportunidade de ser feliz e ganhar o jogo.
Escolhemos as peças erradas para jogar com a gente, enquanto a peça certa está ali na nossa frente só esperando uma oportunidade, um olhar, uma escolha certa...
Existem varias pessoas que preferem acumular o maior numero de peças possíveis, algumas de primeiro plano e outras apenas como válvulas de escape, algo que será usado somente quando nada mais der certo. Há pessoas que preferem jogar sozinhas, tem medo de arriscar e não ter retorno algum.
Quando a fase é muito fácil nós perdermos o interesse, é muito mais gostoso ter o que é mais difícil, passar por aquilo que é mais difícil é mais gratificante. Quem gosta de situações previsíveis, fases fáceis? O bom é viver constante variação, superação, surpreender-se com o que acontece.
Tudo que vem fácil vai fácil, acredite, se você for uma peça de fácil acesso uma fase simples as pessoas pouco vão se importar com você. A tendência é procurar o que não está na nossa frente, e sim algo mais misterioso que vai nós fazer encantar, procurar e descobrir.
Sempre no final de cada fase um grande desafio a ser combatido. Se você não lutar, não passar por dificuldades você não vai sair do lugar. Atrás de um grande objetivo haverá sempre um grande caminho, uma grande luta...
Você passa a vida toda procurando os bônus que ela pode oferecer, você usa peças erradas, talvez até por muito mais tempo que deveria e descarta a peça certa do jogo de sua vida. E quando você se dá conta aquela peça certa que faltava no seu jogo já se modelou para outro jogador, porque não se pode esperar tanto quando se percebe que não há jogo.
Você luta, erra, acerta ganha, faz suas escolhas, é feliz, sorri, chora, se decepciona, passa raiva, passa fases, caminha, tem surpresas, se desespera, se encanta, vacila, faz planos, sonha, realiza, não alcança, usa peças erras, joga fora as peças certas...
Mas sabe o que acontece mesmo que você vai ganhar ou perder? No final de tudo, independente de qualquer coisa o final será o mesmo: Game Over. A única diferença vai ser como você passou pelas fases, quantas vezes você lutou, contra quem ou o que você lutou. Mas o fim de jogo sempre virá.

Rosi Roani

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Signs

Curta dirigido por Patrick Hughes.
Apresentado no Schweppes Online Film Festival.
Que fala sobre comunicação.


Where do you find love? If we knew, we would all know where to look.
Sometimes all you need is a sign.

SIGNS

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Novamente?

Sabe aquele medo, aquela insegurança de não dar certo... de você voltar a viver todos aqueles tormentos, aquelas angústias, as mesmas velhas decepções.
Dores cicatrizadas...Ferimentos cobertos e adormecidos.
E o medo aflora quando surgi um indício de tudo aquilo voltar. Você fica com um pé atrás, de maneira inconsciente vai se afastando aos poucos, criando muralhas em volta de seu já machucado coração...
E quando de repente começas a se deixar levar por novas emoções, novos amores, eis que surgi repentinamente a amiga do medo, ela mesmo, a insegurança!
-"E se não der certo?";-"E se eu me entregar demais?";-"E se...";-"E se..."
Receio de sofrer, de chorar feito criança, de achar que aquilo é o fim...Medo disso, medo daquilo...
E no fundo temos dó do pobre coração que não suporta mais sofrer...coitado, até quando vai aguentar? Será que ele é tão forte assim? Será que ele supera mais uma alfinetada... um chute, uma rejeição? Será que...? Será que...?
E o que fazer?
Tenho medo. Sou forte... mas há momentos, como nesse exato instante que me dá um arrepio, que faz eu perceber o quão meu coração pode ser frágil, e que talvez as muralhas que construí ao redor dele não foram tão fortes como eu imaginava...aliás, nunca são!
Ah coração, tenho dó de ti... já passaste por tantas armadilhas, por tantos abismos...você merece sossego... mas não sossego de amores, amores são sempre bem vindos...Precisa apenas de um tempo dessa insegurança que insiste em te atormentar.
(Hosana Lemos)